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Alunos com Perturbações do Espectro do Autismo

Informação atualizada em 13/10/2019

Promover a inclusão dos alunos com Perturbações do Espetro do Autismo

As Perturbações do Espectro do Autismo

As Perturbações do Espetro do Autismo (PEA) “são um síndroma neuro-comportamental com origem em perturbações do sistema nervoso central que afeta o normal desenvolvimento da criança. Os sintomas ocorrem nos primeiros três anos de vida e incluem três grandes domínios de perturbação: social, comportamental e comunicacional” (Associação Americana de Psiquiatria,2013)

Até 2013 consideravam-se 3 grupos de critérios para diagnóstico clínico: Perturbações na Comunicação; Perturbações na Interação Social Recíproca e Interesses restritos e comportamentos repetitivos

Com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – V (2013) passaram a existir apenas 2 grupos de critérios nas PEA: deficites persistentes na comunicação social e na interação social, em contextos múltiplos (nestes critérios estão incluídas a comunicação verbal e não verbal, a partilha de emoções e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (nestes critérios estão incluídas as rotinas obsessivas, a hiper ou hipo sensibilidade sensorial, entre outros comportamentos).

Desta forma os indivíduos anteriormente classificados com Perturbação Autistica, Perturbação de Asperger ou Perturbação Global do Desenvolvimento passam, atualmente, a ser diagnosticados com Perturbação do Espetro do Autismo por serem realmente uma única condição clínica com 3 diferentes níveis de gravidade dos sintomas, dividida nos níveis leve, moderado e severo. A expressão clínica das PEA varia bastante, não só de pessoa para pessoa mas também em cada indivíduo ao longo do ciclo de vida.

Características da criança com PEA

Os sinais mais evidentes que podem indicar que uma criança tem PEA são: dificuldade de relacionamento com outras crianças; ausência de procura de ajuda / consolo; recusa de colo ou mimos; dificuldades de imitação; ausência de relação social; alterações ao nível do contacto visual; alterações sensoriais – hipo ou hiper; ausência da noção de perigo; isolamento; adesão a rituais não funcionais; fixação em objetos; exploração inadequada de objetos e ambientes; não apontar; dificuldades acentuadas ao nível da comunicação verbal e não verbal; dificuldades ao nível da abstração e do jogo simbólico; repetição de palavras ou frases (ecolalia); conteúdo da linguagem pobre; movimentos corporais estereotipados e repetitivos; adesão exagerada a rotinas; dificuldades ao nível da gestão de imprevistos; resistência à mudança; limitação de interesses; falta de partilha espontânea; alterações do sono / vigília; particularidades no padrão alimentar; dificuldade em expressar necessidades; marcha em bicos de pés; dificuldades motoras, etc.

Diagnóstico e Intervenção

Não se conhecendo, ainda, uma cura, as PEA são disfunções graves e precoces do neuro-desenvolvimento que persistem ao longo da vida, podendo coexistir com outras patologias. Apesar da multiplicidade de estudos existentes e de se reconhecer que apresentam uma causa biológica bem demonstrada, continua ainda por definir qual a etiologia precisa que desencadeia um quadro clínico desta natureza. No entanto, parece ser consensual que esta perturbação evidencia uma origem multifactorial, devendo ser considerados fatores genéticos, pré e pós natais, com uma combinação complexa que leva a uma grande variação na expressão comportamental.

O diagnóstico deve ser feito o mais precocemente possível. O exame médico completo da criança, a avaliação por uma equipa multidisciplinar com testes específicos para avaliação cognitiva, avaliação da linguagem e avaliação comportamental vão permitir o diagnóstico. A intervenção deve ser adequada às necessidades e perfil de cada criança e direcionada para a estimulação das competências sociais e de comunicação. Diversos são os modelos utilizados na intervenção: Modelos de Intervenção de Natureza Comportamental, Modelos de Intervenção de Natureza Cognitivo Comportamental, etc. Variadas podem ser também as terapias complementares: apoio psicopedagógico, psicologia, terapia ocupacional, psicomotricidade, terapia da fala, etc.

Inclusão escolar

Inclusão de crianças com Perturbações do Espetro do Autismo

As Unidades de Ensino Estruturado para o Apoio à Inclusão de Alunos com Perturbações do Espetro do Autismo são uma resposta educativa específica para as PEA. Existem em escolas ou agrupamentos de escolas, concentrando meios humanos e materiais com vista a oferecerem um recurso pedagógico de qualidade a estes alunos. Os objetivos destas Unidades são, entre outros:

  • a) Promover a participação dos alunos com PEA nas atividades curriculares, conjuntamente com os seus pares de turma;
  • b) Implementar e desenvolver um modelo de ensino estruturado, consistindo na aplicação de um conjunto de princípios e estratégias que promovam a organização do espaço, do tempo, dos materiais e das atividades;
  • c) Aplicar e desenvolver metodologias de intervenção interdisciplinares que, com base no modelo de ensino estruturado, facilitem os processos de aprendizagem, de autonomia e de adaptação ao contexto escolar;
  • d) Proceder às adequações curriculares necessárias;
  • e) Assegurar a participação dos pais/encarregados de educação no processo de ensino e aprendizagem;
  • f) Organizar o processo de transição para a vida pós-escolar.

Sofia Marques Pedrosa
Psicopedagoga

Unidades de Ensino Estruturado para a Educação de Alunos com Perturbações do Espetro do Autismo

Foi criada uma rede de Unidades de Ensino Estruturado para o Apoio à Inclusão de Alunos com Perturbações do Espetro do Autismo em escolas ou agrupamentos de escolas, com vista a concentrar meios humanos e materiais que possam oferecer uma resposta educativa de qualidade a estes alunos.

Constituem objetivos destas Unidades, entre outros:

Fonte: Direção Geral da Educação.



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